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Será que devo demonstrar as minhas fraquezas?

Atualizado: 31 de jul.

Depois de ver alguns vídeos na internet, eu me deparei com um vídeo onde uma mãe relatava sobre essa questão de demonstrar as fraquezas para seus filhos. E isso me fez querer vir aqui falar um pouquinho mais sobre esse assunto. Vamos lá?


O primeiro ponto que devemos pensar sobre o assunto é: ser fraco é diferente de ser vulnerável!


Todos nós nascemos vulneráveis e é por esse motivo que devemos desenvolver a virtude da fortaleza, que é poder ser forte e valente por saber que você pode receber uma ferida. Então, uma pessoa que tem fortaleza, ela sabe que pode ser ferida e que ela é vulnerável ao que está acontecendo ao seu redor e, através dessa fortaleza, ela pode diminuir a sua vulnerabilidade.


Então, vamos pensar... um bezerrinho nasce vulnerável, mas fica pouco tempo vulnerável. E depois consegue, inclusive, viver sem os seus "pais".


Mas, o ser humano ele é vulnerável por muito mais tempo e até os seus 18 anos, pelo menos, você tem um ser vulnerável que depende demais dos outros para viver.


Então, essa vulnerabilidade é algo da nossa natureza, diferente da nossa fraqueza.


A fraqueza é, normalmente, uma preguiça, um desleixo, uma falta de empenho para fazer o bem.


Normalmente, a fraqueza vem de uma debilidade de não querer ir para o combate e, provavelmente, se ferir.


Dito isso, precisamos entender um pouquinho sobre a existência da falsa fortaleza. E o que é essa falsa fortaleza?


É quando nós temos uma postura de inflexibilidade. Ela é arrogante, intolerante... e é muito comum associarmos a falsa fortaleza à uma pessoa inflexível. E, mais ainda, relacionarmos alguém que demonstra uma fraqueza com alguém que é adaptável, bom, empático.


Então, a fortaleza, como eu já disse, é a capacidade de saber que nós podemos nos ferir e ter a força de seguir em frente por termos princípios sólidos e sabemos porque estamos lutando, enquanto a fraqueza é fugir do combate.


Eu fujo do combate porque eu não quero me ferir. Afinal, eu não tenho ideais concretos e sólidos dentro de mim para que eu me arrisque a esse ponto de saber que eu posso ser ferido.


Sabendo disso, a gente pode identificar que a fraqueza pode ser muito mais uma falta de caráter do que uma mansidão.


Por isso, é muito importante que nós sejamos fortes e mansos. Uma vez que a mansidão é conseguir, dentro de si, organizar os conceitos que regem a sua vida a fim de conseguir aplicá-los em sua vida com a intensidade adequada.


A mansidão é saber dosar a força utilizada para continuar batalhando pelo seu ideal!


A partir desses conceitos, nós conseguiremos saber se devemos ou não demonstrar as nossas fraquezas para os nossos filhos. Então vamos lá...


A fraqueza nós não devemos mostrar, mas uma vulnerabilidade é diferente.


Nós não podemos mostrar a nossa fraqueza, pois ela é instável. Quando a gente é fraco, a informação que nós emanamos é que somos instáveis. E, para uma criança, nada é mais danoso do que ter a percepção de que os seus cuidadores e seus pais são fracos, instáveis.


A criança precisa saber que não são as circunstâncias que modelam o nosso caráter conforme acontecem. O que deve determinar o nosso caráter são os nossos valores e princípios.


Eu sempre digo: não sangre em tanque de tubarão.


Demonstrar fraqueza para os seus filhos é sangrar em um tranque de tubarão. Você será devorado e o seu filhos vai ficar perdido. Mostre a sua fortaleza.


Isso não quer dizer que se você errar, você não pode pedir desculpas, quando você se excede, quando tomamos uma atitude errada, quando calculamos errado algo a ser feito.


Nós podemos, sim, colocar para os nossos filhos que erramos e que poderíamos ter conduzido de outra forma a situação.


Isso é um ato de vulnerabilidade. Afinal, você errou, parou, analisou e consertou o erro.


Mas isso não quer dizer que você está fraco.


Além disso, nós também podemos compartilhar com os nossos filhos as dificuldades que já enfrentamos.


E uma coisa que é sempre bom quando falamos das nossas dificuldades é falar sobre a redenção que é a possibilidade de melhora, de sair daquela situação ruim e transformá-la em algo bom.


As vezes a criança fica chateada por não conseguir fazer algo e é muito comum, por exemplo, quando estamos ensinando um filho a dormir, ele não conseguir sozinho. E aí, nós podemos compartilhar que também passamos por isso, mas superamos e compartilhar as estratégias utilizadas para superar ou, até mesmo, usar alguma história para nos ajudar.


Então, o que nós podemos fazer?


Vamos dizer que o seu filho não conseguia comer brócolis e você foi ajudando ele, insistindo até que ele começou a comer. Era uma guerra, mas aos poucos ele começou a comer brócolis.


O que você pode fazer?


Na hora que você estiver ensinando algo à criança, onde ela precisa dessa coragem e não ter medo de se ferir e ser vulnerável, é usar outros exemplos. Lembrá-la do que já foi enfrentado e conquistado.


O que eu quero dizer com tudo isso hoje?


O seu filho precisa saber que nós somos vulneráveis e, por isso, precisamos desenvolver a fortaleza para que essa vulnerabilidade não desestabilize a gente o tempo todo e se torne uma fraqueza. Certo?


Ele também precisa saber que nós erramos, passamos por dificuldades e que existe uma redenção. E que dentro de nós, existem potencialidades para sermos melhores. E, por isso, se a gente buscar ser melhor para servir ao outro de maneira melhor, oferecendo tudo o que temos de bom para quem está próximo à nós, devemos desenvolver a nossa fortaleza.


Espero ter te auxiliado a entender melhor o que é fraqueza, fortaleza e vulnerabilidade e, a partir de agora, compreender como se apresentar de forma adequada diante dos nossos filhos e das pessoas que estão presentes em nossa vida.


Até mais!

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