Hora lúdica: a viagem pelo ônibus do sono

Nós sempre ouvimos falar sobre como o lúdico é uma ferramenta de extrema importância na hora de criar e se comunicar com os pequenos, certo? Pois saibam que, até mesmo para nós, adultos, pensar as coisas de forma lúdica pode nos ajudar a compreender de maneira mais clara como funciona esse mundo tão complexo dos bebês!





Hoje trago para vocês um trecho retirado do livro “É hora de dormir – ideias práticas para educar o sono de nossos filhos”, de Pin e Genís (2010).


O trecho se encontra nas páginas 12-14.






“Podemos imaginar a viagem noturna que nossas crianças fazem todas as noites, enquanto dormem, como se estivessem dentro de um ônibus. É mais ou menos assim:


A espera: a criança entra no ônibus (na verdade nós é que entramos com ela, ou seja, a colocamos na cama) e o motor começa a funcionar, mas a partida só acontece cerca de meia hora depois. É o tempo para esquentar o motor e esperar que o pequeno passageiro se acomode nos assentos, ou melhor, se entregue ao sono. Esse período é chamado de latência do sono.

Início da viagem e descida para o vale: começa a viagem, e o primeiro vale é o mais profundo de todos! É um abismo denso e escuro, onde não chega nenhum som do mundo exterior. A criança fica cada vez mais relaxada e penetra num sono tão profundo que, pouco tempo depois, seria possível até mudar de ônibus sem acordá-la! Ela pode até se mexer para se acomodar melhor, mas a respiração continua calma e regular. Este primeiro vale ilustra a fase não REM ou NREM do sono. Nesta fase, podem acontecer episódios de sonambulismo e de terrores noturnos, em que as crianças adormecidas, com os olhos fechados ou abertos, chegam a se assustar com a percepção de sonhos medonhos, que vamos chamar de monstros ou fantasmas. Mas, felizmente, graças à profundidade desta fase, na manhã seguinte, a maioria das crianças não se lembra do que sonhou. A viagem continua e à medida que o ônibus desce ainda mais em direção ao vale, a criança fica cada vez mais imóvel. A fase não REM do sono também tem o objetivo de recuperar as energias físicas e se divide em quatro estágios: os dois primeiros, no início do sono, correspondem a um sono superficial, enquanto os dois últimos são tomados pelo sono profundo. Assim, nos primeiros cinquenta a setenta minutos, dependendo da idade, a criança está mergulhada no sono mais profundo de toda a noite.

Subida ao topo de uma montanha: e agora, lentamente, o ônibus começa a subir até o topo da primeira montanha da noite. Chegando ao alto, a criança mexe rapidamente os olhos sob as pálpebras, como se estivesse explorando a paisagem que está à sua volta. Por pouco não acorda. Esta é a fase REM do sono. Essa fase do sono é muito importante para o cérebro e o aprendizado, e nela a criança fixa na memória tudo o que aprendeu durante o dia. Por isso as crianças possuem uma quantidade desse sono maior que os adultos, já que estão aprendendo uma série de coisas, como falar, andar e controlar seus esfíncteres, tarefas que exigiram séculos de evolução, mas que os pequenos dominam em poucos anos. Essa fase também é necessária para o pensamento criativo. Agora, o ônibus deixa este pequeno mirante pequeno e logo começa uma descida suave.

Descida para outro vale: o ônibus prossegue seu trajeto e desce para outro vale. O mapa de estradas noturnas indica que, até o último terço da viagem, mais quatro ou cinco vales nos aguardam, mas são menos profundos e separados por suas encostas. A esses vales intermediários chega a luz e o barulho procedente do exterior, de modo que, aquilo que no início da noite não acordava nosso pequeno passageiro agora, sim, pode fazê-lo. E como em tudo, essa fase tem vantagens e desvantagens: se de um lado os sonhos medonhos com monstros e os fantasmas não habitam os vales pouco profundos, agora o passageiro acorda com mais facilidade.

De novo a subida: o ônibus volta a subir. Desta vez o topo é menos escarpado. O pequeno passageiro quer alcançar com todo o olhar toda a paisagem e gravá-la em sua memória. Algumas vezes, o panorama que se descortina à sua volta lembra situações passadas, e ele as revive gritando de emoção ou medo. É a fase dos pesadelos, sonhos que estão relacionados com experiências que a criança vivenciou e dos quais conseguirá lembrar-se no dia seguinte.

Fim da viagem: no final da noite, o ônibus desce para outro vale profundo, embora menor que aquele do início da viagem. E, por fim, inicia a última subida para chegar ao seu destino: a vígilia descansada e interessante.”

Espero que tenham gostado!                                            

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